Produção e Caracterização das Fitases produzidas por Trichoderma harzianum

 

LIMA, R.C.M.; ULHOA, C. J.

 

Laboratório de Enzimologia – Instituto de Ciências Biológicas - Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular. e-mail: rhalcia@bol.com.br / ulhoa@icb.ufg.br

 

 

INTRODUÇÃO

Trichoderma sp é um Deuteromiceto, pertencente a sub-classe Hifomiceto, ordem Monilialles (Hawksworth et al., 1995, citado por BARA, 2002). Mais de 30 espécies deste gênero atualmente são conhecidas. Algumas destas, são amplamente estudas por serem antagonistas de nematóides e fungos fitopatógenos, sendo então utilizadas no controle biológico (T. asperellum, T. harzianum, T. longibrachiatum e T. atroviride).

 São fungos filamentosos, heterotróficos e saprófitas, naturais do solo, sendo encontrados em matéria orgânica em decomposição e na rizosfera de diversas plantas. Caracterizam-se por utilizar uma grande variedade de compostos como fonte de carbono e de nitrogênio. Ocorrem em todos os tipos de solo embora se desenvolvam melhor em condições ambientais ácidos. São mesófilos, sensíveis a altas temperaturas e pHs extremos, são resistentes a inibidores produzidos por outros organismos e tolerantes a diferentes tipos de fungicidas. 

 Trichoderma harzianum, uma das espécies mais importantes do gênero, é descrito como um agente de controle biológico utilizado contra alguns fitopatógenos, tais como Sclerotium rolfsii, Rhizoctonia solani e Pythium sp (Herrera-Estrella & Chet, 1998). Um dos mecanismos de antagonismo deste fungo é denominado micoparasitismo e se caracteriza pela produção de enzimas hidrolíticas, como quitinases (EC. 3.2.1.14) e N-acetilglucosaminidase (EC. 3.2.1.30), responsáveis pela quebra da parede celular do fungo hospedeiro. Cepas com uma certa variação morfológica dentre os isolados de T. harzianum foram identificadas e caracterizadas em 1999 (Lima, 2002)., entre essas ALL – 42 e ALL – 52. Através de estudos observou- se que estes isolados possuem uma alta capacidade  parasítica, bem como de produção de enzimas hidrolíticas (Lima, 2002).

Fitases {EC.3.1.3.8 (mio-inositol–hexafosfato-3–fosfohidrolases)} são classificadas dentro do grupo das fosfatases ácidas, as quais hidrolisam eficientemente ácido fitíco em mio-inositol e ácido fosfórico (Mitchell et al., 1997, citado por Casey, 2003). A presença de fitases tem sido detectado em uma variedade de organismos dentre eles fungos e bactérias (Wodzinki and Ulah, 1996, citado por Casey, 2003). A produção desta enzima é amplamente distribuída em alguns fungos, em particular fungos de solo e água, tais como Aspergillus e Rhizopus , Penicillium e Mucor(Liu et al., 1998, citado por Vohra, 2003) e também alguns fungos termófilos como Thermomyces lanuginosus (Berka et al., 1998, citado por Vorha, 2003) e Sporotrichum thermophile (Grosh, 1997, citado por Vorha, 2003).  

            A fonte primária de ácido fitíco é estocado sob a forma de fósforo em sementes de plantas que são usadas como ingredientes de nutrição animal, como grãos de cereais, legumes e sementes oleosas. Em termos de nutrição animal, animais monogástricos tais como porcos e aves domésticas não são capazes de metabolizar fitato devido a falta de enzimas digestivas que hidrolisam o substrato. Com isso, fosfato inorgânico é adicionado em suas dietas para suprir o fósforo requerido. Como resultado esses grupos de animais excretam grandes quantidades de fosfato no meio ambiente, causando sérios problemas de poluição, contribuindo para eutrofilização das águas em áreas de intenso conjunto de produção. Contudo para seu próprio desenvolvimento, esses animais necessitam de fosfato em concentrações apropriadas.

            A suplementacão da ração animal com fitase aumenta a utilização de fosfato orgânico e diminuem os efeitos anti-nutricionais de dietas ricas em fitato. Desta forma melhorando em última instância a qualidade nutricional dessas dietas, minimizando a necessidade de suplementação obrigatória com fosfato inorgânico, reduzindo  a excreção de fosfato.

             Suas aplicações biotecnológica estende–se a nutrição animal, como o reconhecimento da sua importância na alimentação industrial e aquacultura. Atualmente, existe um grande interesse em isolar novos organismos produtores destas enzimas, principalmente fungos filamentosos isolados de solo, um ambiente rico em fitato.

 

 OBJETIVOS

Considerando o potencial de fungos do gênero Trichoderma em produzir enzimas de interesse biotecnológico, é nosso objetivo neste trabalho de dissertação de mestrado avaliar a produção de fitase por isolados de Trichoderma harzianum (ALL 52 e ALL 42), bem como purificar e caracterizar a enzima produzida.      

 

MATERIAIS E MÉTODOS

 

Manutenção do fungo: Os isolados Trichoderma harzianum ALL-42 e ALL-52 da Coleção do Laboratório de Enzimologia / UFG, serão mantidos com repiques periódicos em meio MYG (0,5% de extrato de malte, 0,25% de extrato de levedura, 1% de glicose e 2% de ágar) e estocado a 4°C.

Produção de Enzimas: Esporos dos isolados , serão inoculados em frascos de 250 mL contendo 25 mL de meio de TLE composto por: 1g/L de bactotriptona, 0,3g/L de uréia, 2,0g/L de KH2PO4, 1,4g/L de (NH4)2SO4, 0,3g/L de MgSO4.7H2O, 0,3g/L de CaCl2.6H2O e solução de elementos traços; suplementado com 0,5% de substrato (farelo de milho) a ser testado como indutor. Os frascos serão incubados em agitador rotatório à 28°C e velocidade de 150 rpm. Após 6,12, 24, 48 e 72 horas de incubação o sobrenadante será coletado e utilizado como fonte de enzimas.

Atividade Enzimática: A atividade de fitase será determinada segundo metodologia descrita por Heinoen e Lahti (1980), citado por Casey 2003, utilizando ácido fítico como substrato.

Determinação de Proteína: A concentração de proteínas nas amostras será determinada pelo método descrito por Bradford (1976), utilizando albumina bovina (Sigma-Co) como padrão.

Caracterização eletroforética: Para análise do perfil de proteínas secretadas no meio de cultura será utilizado um sistema de eletroforese (MiniGel-Sigma) em gel de poliacrilamida 10% em condições desnaturantes, SDS-PAGE (Laemmli, 1970). Ao final da corrida o gel será corado pelo método de coloração com nitrato de prata segundo metodologia descrita por Blum et al., 1987; e para análise glicosídica, o gel será corado com Schiff (Fairbanks et al., 1971).

Determinação de pH e temperatura ótimos: O efeito do pH na atividade de fitase será determinado incubando a enzima em tampões com diferentes valores de pH que variam de 2,5 a 8,5 em tampão acetato de sódio, na concentração de 200 mmol/L-1. O efeito da temperatura será determinado incubando a enzima em diferentes temperaturas e no pH ótimo. As temperaturas testadas serão 30, 40, 45, 55 e 60 oC.

Efeito da temperatura na estabilidade da enzima: As enzimas puras na ausência do substrato por uma hora e trinta minutos nas temperaturas de 45 a 50 oC e a atividade residual será determinada a cada 15 minutos de incubação.

Determinação de KM e VMáx: As  propriedades cinéticas da fitase serão determinadas realizando-se o ensaio nas condições descritas, variando-se a concentração de ácido fítico de 0,2 a 1,0 mmol/L-1. Os cálculos dos valores das constantes serão feitos através do método de Michaelis-Mentem, utilizando o programa Curve Expert 1.3.

Efeito de íons, inibidores e agentes desnaturantes: o efeito de íons, inibidores e agentes desnaturantes será determinado após a pré-incubação da enzima com 2 mmol/L-1 CaCl2, FeCl2, HgCl2, MgCl2 Cu(CH3COO)2, (NH4)2SO4, BaCl2, EDTA e SDS por 5 minutos. A dosagem da atividade de fitase será de acordo com as descrições citadas acima.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

BLUM,H., BEIER,H. & GROSS, H.(1987). Improved  silver staining of plant proteins, RNA and DNA in polyacrilamide gels. Electrophoresis 8: 93 – 93.

BRADFORD, M.M.(1976). A rapid and sensitive method for quantification of micrograms quantities of protein utilizing the principle of protein dye binding. Analytical Biochemistry 72: 680 – 685.

BARA, M.; Purificação e caracterização de ua exo-b-1,3-glucanase produzida por um isolado de Trichoderma asperelum. Brasília-DF. UnB. 2002.74p (Tese de Doutorado)

CASEY, A.; WALSH, G.;Purification and characterization of extracellular phytase fro Aspergillus ninger ATCC 9142. Bioresource Technology 86 (2003) 183-188

HERRERA-ESTRELLA, A. & CHET, I (1998). Biocontrol of bacteria and phitopathogenic fungi. In Agriculture Biotecnology. Ed. Arien. Dekker, Inc. New York. Pp. 263-282.

LIMA, A.L.; Caracterização morfológica, molecular e bioquímica de Trichoderma spp isolados de solo do cerrado brasileiro. Brasília-DF. UnB.(2002) Tese de Doutorado.

LOWRY,O.H.;ROSEBROUGH,N.; FARR, A.; RANDALL,R.; Protein measuremente with the Folin Phenol Reagent. Journal of Biological Chemistry 193:265-275 (1951)

ULHOA, C.J. & PEBERDY, J.F. (1992a). Purification and characterization of an extracellular chitobiase from Trichoderma harzianum. Enzyme Microbial and Technology 14: 236-240.

VOHRA, A.; SATYANARAYANA,T.; Phytase microbial, Sources, Production, Purification and Potential Biotechnological Applications. Critical Reviews in Biotechnology, 23(1):29-60(2003)

 

Órgãos Financiadores: CNPq, FUNAPE.