Mobilidade Populacional e Relações de Trabalho na Microrregião do Sudoeste de Goiás, no período de 1970-2000

CRUZ, Renatha Cândida da

renathacruz@yahoo.com.br

BOLSISTA PIBIC

CALAÇA, Manoel

calaça@iesa.ufg.br

ORIENTADOR

Instituto de Estudos Sócio-Ambientais – IESA/UFG

Palavras-chave: Agroindustrialização, mobilidade e relações trabalhistas

RESUMO EXPANDIDO

INTRODUÇÃO:

O Sudoeste Goiano é composto por dezoito municípios e está localizado entre os paralelos 16º e 19º 10’ de latitude Sul e os meridianos 50º e 53º 13’ de longitude oeste, ocupando uma área de 56.293,3 km2, correspondendo a cerca de 16,49% da área do Estado. As potencialidades naturais juntamente com a nova face da agricultura brasileira convergiram para que o Sudoeste do Estado de Goiás tornasse grande produtor de grãos. Daí a necessidade de demonstrar e discutir os aspectos da modernização da agricultura e as relações de trabalho na referida microrregião, destacando o período de 1970 a 2000 como contexto desta nova dinâmica da agricultura brasileira e o município de Rio Verde como ponto mais expressivo destas modificações. Assim, propomos subsidiar a análise da inserção do capital na agricultura, processo este que desencadeou uma gama de modificações estruturais e conjunturais no cenário nacional, e porque não dizer, global. Estas modificações podem ser melhor visualizadas a partir de dados censitários, e conseqüente representação por meio da construção de tabelas, gráficos e mapas que, juntamente com as referências bibliográficas constituem a base de sustentação das análises e conclusões acerca do tema abordado.

MATERIAL E MÉTODOS

Quanto ao método, baseamos em autores que desenvolvem a problemática, na qual consideram que o destino dos migrantes gira em torno da valorização do capital. Sendo assim, a migração caracteriza-se como processo resultante de variáveis globais combinadas e sujeitas a este capital. A proposta deste trabalho abrange um conjunto processual de acontecimentos a partir da mudança da base técnica da agricultura. Para tal assunto concebemos o espaço como base construída pela e para a sociedade. O espaço é dinâmico, fluido e evolui constantemente. Esta evolução corresponde a fatores internos e externos vinculados, geralmente, aos modos de produção. Isto significa que a partir do momento em que os solos goianos foram embebidos pelo implemento agrícola moderno, a modificação (evolução) espacial se intensificou, tendo este momento tecnicista agido como catalisador processual. Os excluídos do setor produtivo irão se juntar a diversos outros de todas as localidades para alimentar o setor terciário em ascensão, graças ao poder aquisitivo da nova sociedade. Isto reforça a idéia conectiva das categorias: uma nova configuração espacial proporciona o surgimento de uma nova sociedade. Com os resultados dos fatores acima descritos e agregados à agricultura, foi possível perceber todo o processo de mudança da base técnica do sistema produtivo e as influências no mercado de trabalho, constituindo instrumento atrativo-indutivo do processo de migração por motivo empregatício.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A exemplo de todo o país, até a década de 1960, o Estado de Goiás era eminentemente agrário, sendo sua produção destinada à manutenção interna. A nova configuração produtiva arraigar-se já na década de 1970, com a expansão da fronteira agrícola, advinda do sul. Até o referido momento, as terras de Goiás eram consideradas impróprias para a prática agrícola, mas puderam ser corrigidas com o processo de calagem. O uso intensivo de máquinas e implementos agrícolas tornou-se possível graças às condições topográficas favoráveis (formas planas a levemente onduladas), refletindo no aumento do preço das terras do cerrado, que agora proporcionam uma grande produção agrícola. É neste contexto que há uma intensa intervenção estatal na região, através de programas de desenvolvimento do cerrado para a produção de grãos, a exemplo do Polocentro (Programa para o desenvolvimento do Cerrado), que atendeu a 12 áreas que já possuíam infra-estrutura. Já o Prodecer (Programa Cooperativo Nipo-brasileiro para o Desenvolvimento do Cerrado), implantado em 1980, promoveu o assentamento de agricultores experientes do Sudeste e Sul do país na região do cerrado.. Nos moldes do capitalismo, a modernização agrícola é irreversível já que sem a utilização desde aparato propulsor do processo significa uma perda da alta produtividade e conseqüente queda dos lucros. Neste contexto, a mão-de-obra empregada tende a migrar rumo às cidades em busca de novas formas empregatícias, já que sua funcionalidade no setor produtivo do campo foi substituída pela máquina. Cerca de 50% dos migrantes que chegam no Sudoeste Goiano são nordestinos, atraídos pelas boas oportunidades geradas, mas na maioria das vezes possuem pouca ou nenhuma qualificação. Dentre este universo apresentam três tipos de categorias: o trabalhador temporário, o migrante sazonal e o migrante permanente. No município de Rio Verde a procura por uma ocupação trabalhista é bem mais representativa. Segundo dados do SINE do município no período de janeiro/01 a fevereiro/02 foram oferecidas 8.190 vagas de empregos, na qual 3.823 destas vagas foram captadas obtendo um total de 2.208 pessoas colocadas nestas vagas. A maior parte deste contingente de vagas estão relacionadas ao crescente comércio atraído pela nova dinâmica da agricultura. Em geral são cerca de 350 vagas disponibilizadas por mês para o setor comercial. Mas, com a exigência cada vez maior das empresas situadas na região há a necessidade de arquitetar o surgimento de um novo trabalhador, bem mais qualificado. Esta necessidade atrai um aglomerado de instituições, geralmente particulares. Neste sentido, Rio Verde possui um conjunto de institutos de capacitação profissional e formação acadêmica, muitas vezes direcionada às atividades agrícolas. No município possui quatro centros de formação técnica e tecnológica (CEFET, SENAI, SENAC e SEBRAE) perfazendo um total de 5.100 vagas disponibilizadas apenas em 2000. Além disto a Fesurv possui 13 cursos de graduação nas áreas de ciências agrárias, biológicas, exatas, humanas e da saúde com cerca de 3 mil estudantes, inclusive de outras localidades. A especulação imobiliária também desponta. Em suma, em alguns municípios da microrregião há um intenso crescimento vertical, e em alguns casos os apartamentos são vendidos antes mesmo da finalização da obra. Em Chapadão do Céu, Jataí e Rio Verde esta realidade é bem mais representativa, e em Aparecida do Rio Doce quase não se percebe uma construção predial. Todos os aspectos mencionados neste relatório demonstram o potencial goiano na produção e toda a problemática sócio-espacial advinda desta dinâmica. Potencial este que tende a intensificar. Isto porque a intervenção estatal tem concentrado esforços para continuar atraindo investimentos com o objetivo de expandir, modernizar e diversificar a economia do estado.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A mobilidade e a distribuição da população observada na Microrregião do Sudoeste Goiano vem acompanhando a dinâmica econômica do capitalismo, e teve como principal incentivo o processo de modernização da agricultura e a introdução de complexos agroindustriais que dinamizando a produção e reprodução do capital no Sudoeste vem dando destaque a algumas cidades como Rio Verde, Jataí e Mineiros em pólos atrativos para o Sudoeste. Até o momento foram observadas no Sudoeste Goiano mobilidades forçadas pelo novo padrão moderno. Esse processo funciona como novos agentes modificadores do espaço, produzindo e reproduzindo novas formas de ocupação e uso do território Goiano. Assim, neste "redesenhar de territórios", a renovação do projeto buscará compreender como a materialização da infra-estrutura influenciou nesta (re) configuração espacial.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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